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A Semana em 5 minutos

Atualizado: 21 de abr.




A semana foi marcada por uma série de eventos que tiveram um impacto significativo nos mercados globais. Os dados inflacionários americanos indicaram que não haverá espaço para cortes nos juros em junho, o que causou volatilidade, especialmente nos países emergentes, incluindo o Brasil.

Na segunda-feira, o Ministro Haddad anunciou que o governo não cumprirá a meta de superávit fiscal de 0,5% do PIB em 2025, alterando o compromisso para um déficit zero, com um intervalo de confiança de 0,25%. Isso significa que o resultado pode variar entre um superávit de 0,25% e um déficit de 0,25%. Além disso, os aumentos previstos nos superávits, na magnitude de 0,50% ao ano, foram substituídos por incrementos de apenas 0,25% do PIB.

Essas mudanças tiveram um impacto significativo nos ativos brasileiros. Além disso, a notícia do ataque de drones e mísseis iranianos a Israel, com seus riscos geopolíticos, ficou em segundo plano.

Os investidores do mercado brasileiro reagiram às mudanças nas metas fiscais. Surgiu a suspeita de que o Novo Arcabouço Fiscal seria uma estratégia para revogar o Teto dos Gastos, cujas regras rígidas impediam o governo federal de repetir erros anteriores.

A recessão econômica entre 2015 e 2016, que resultou na queda de aproximadamente 8% do PIB brasileiro, foi em grande parte causada pela ‘Nova Matriz Econômica’. Essa política consistia em ideias intervencionistas, com o Estado buscando promover o ‘desenvolvimento econômico e social’ por meio de gastos descontrolados.

O Ministro Haddad, antes visto como o guardião da responsabilidade fiscal no atual governo, parece ter perdido essa batalha interna. Alterar uma meta fiscal por não conseguir cumpri-la revela a falta de compromisso do governo e prejudica sua credibilidade. O resultado imediato foi um aumento significativo nos prêmios dos títulos exigidos pelos investidores, elevando o custo da dívida pública.

O cenário político permanece turbulento, com conflitos entre Arthur Lira e o Ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. O presidente da Câmara ameaça instaurar CPIs que podem obstruir votações cruciais na agenda econômica. A promessa da entrega dos projetos de Leis Complementares para regulamentar a reforma tributária, esperada para esta semana, não se concretizou.

Segundo estatísticas oficiais, cerca de 65% dos magistrados no país recebem acima do teto constitucional devido aos ‘penduricalhos’. Uma PEC em tramitação no parlamento propõe um aumento de 5% nos ganhos dos magistrados a cada cinco anos, até o limite de 35%. O Senado, contudo, em vez de rejeitar a proposta, decidiu ampliá-la para outras categorias de servidores públicos. Se aprovada, a PEC poderá impactar as contas públicas em R$ 42 bilhões anuais.

Em outra frente, a Comissão Mista do Congresso Nacional aprovou, em votação simbólica, a MP das compensações tributárias (MPV 1202/2023), com alterações que enfraqueceram a proposta e prejudicaram o impacto fiscal positivo esperado nas contas públicas. A exclusão da reoneração da folha de pagamento foi uma dessas mudanças, beneficiando as prefeituras. Por outro lado, manteve-se o limite anual para compensações de créditos tributários de decisões judiciais para empresas privadas em R$ 10 milhões.




Brasil – Indicadores econômicos

         O Boletim Focus do Bacen revelou que, na última semana, as estimativas dos analistas e economistas indicaram um recuo do IPCA deste ano, de 3,76% para 3,71%, enquanto o PIB foi revisado para cima, de 1,90% para 1,95% — duas notícias positivas. Contudo, a projeção da Selic, que se manteve em 9% por várias semanas, subiu para 9,13%. A projeção do resultado primário das contas públicas para este ano permaneceu em déficit de 0,70% do PIB, assim como a de 2025, que se manteve em déficit de 0,60% do PIB. Surge a pergunta: por que o mercado reagiu negativamente ao anúncio de Haddad, se já esperava um déficit de 0,60% do PIB em 2026? A estimativa reflete os cálculos dos agentes, baseados nos números atuais de arrecadação e gastos do governo. Um ajuste fiscal era esperado, que deveria ser implementado pelo governo para corrigir a rota e alcançar o superávit prometido.

Em um evento em Washington, o presidente do Bacen, Roberto Campos Neto, ‘retirou’ o compromisso de um corte adicional de 0,5% na Selic na próxima reunião em maio, mencionando o aumento das incertezas internacionais e fiscais. O mercado ajusta-se rapidamente, e o nível atual dos contratos de DIs futuros indica que a expectativa para a próxima reunião do Copom é de um corte de apenas 0,25% na Selic.


EUA

         A produção industrial americana de março registrou um aumento de 0,40%, alinhado com as expectativas e consistente com o crescimento do mês anterior, indicando que a indústria continua em expansão. No entanto, os dados do mercado imobiliário revelaram um resfriamento inesperado: as permissões de construção caíram 4,3%, um recuo bem maior que a diminuição de 0,9% prevista pelos analistas. Além disso, o número de casas iniciadas teve uma queda de 14,7%, muito além da expectativa de recuo de 2,4%.

O presidente do FED, Jerome Powell, afirmou que os juros podem precisar permanecer elevados por um período mais extenso, sugerindo que os cortes podem não ocorrer tão cedo quanto esperado. De acordo com ele, os dados econômicos recentes não forneceram confiança suficiente para iniciar um afrouxamento monetário. Pelo contrário, os indicadores sugerem que o período necessário para alcançar essa confiança pode ser maior.

        

Os mercados

Fechamento da semana - números coletados às 15:00h desta sexta-feira

O mercado nacional sofreu impactos negativos em decorrência do discurso do Ministro Haddad. Internacionalmente, a percepção de que os juros americanos não serão reduzidos no curto prazo contribuiu para a queda do índice S&P 500. O conflito entre Israel e Irã gerou preocupações iniciais, porém, as indicações de que não haverá escalada no confronto tranquilizaram os mercados, principalmente o mercado do petróleo.


Bolsas

A Bovespa apresenta uma recuperação nesta sexta-feira, superando o pessimismo que marcou os últimos pregões, mas ainda assim deve encerrar a semana com uma queda de 0,8%. Por outro lado, o S&P 500 enfrentou um cenário mais desanimador, com investidores reagindo ao discurso do Jerome Powell e a resultados trimestrais de algumas empresas abaixo das expectativas, o que levou a uma queda de 2,8%. O índice americano, que anteriormente havia acumulado um ganho de mais de 10% neste ano, viu seu avanço reduzir para 4,4% em 2024.

 

Dólar

A cotação do dólar, em comparação com outras moedas, permaneceu estável nesta semana, conforme indicado pelo DXY (Índice do Dólar), que registrou uma leve alta de 0,1%. No Brasil, entretanto, a situação foi diferente. A moeda americana chegou a subir 3,3% ao atingir R$ 5,29, mas posteriormente recuou, encerrando a semana com uma alta de 1,4%, cotada a R$ 5,19.

Juros

O DI janeiro 2026 registrou um pico de 10,85% de taxa (alta de 62 pontos base!) durante o auge do pessimismo desta semana, mas se estabilizou posteriormente, encerrando a semana com uma alta ainda significativa de 34 pontos-base, em 10,57%. Paralelamente, o título do Tesouro americano de 10 anos também observou um aumento, subindo 10 pontos-base para 4,62%.

Commodities

O mercado de petróleo não foi impactado pela troca de fogo entre Israel e Irã, felizmente. Os temores de uma escalada ou envolvimento de outras nações no conflito foram dissipados, e a cotação do WTI encerra a semana com uma queda de 3,2%, sendo negociado a US$ 82,26 por barril.



Até a próxima semana!

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