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A semana em 5 minutos

  • 13 de fev.
  • 4 min de leitura
“Quando o machado entrou na floresta, as árvores disseram: o cabo é um dos nossos!!”

No Brasil, a semana foi marcada pela continuidade do fluxo de investidores estrangeiros, que seguem demonstrando apetite por ativos brasileiros, mesmo após as altas recentes. Neste ano, até o dia 11/02, o investidor estrangeiro aportou R$ 33 bilhões na Bovespa em compras líquidas, cifra que já supera os R$ 31 bilhões registrados em todo o ano de 2025. Esse movimento ajudou o principal índice da Bolsa brasileira a superar, pela primeira vez, os 190 mil pontos, embora tenha recuado desse patamar nesta sexta-feira. As eleições preocupam e são relevantes para o investidor brasileiro, mas não parecem afetar o apetite do investidor estrangeiro, que segue outra lógica: reduzir exposição a ativos caros e dolarizados, como ações americanas, e ampliar posições em mercados emergentes com valuations mais atrativos.


Nos EUA, o destaque é o sentimento mais pessimista de parte dos investidores justamente em relação ao setor que vinha sustentando o otimismo recente: a inteligência artificial. Na semana passada, as gigantes de tecnologia Amazon, Alphabet, Meta e Microsoft anunciaram investimentos em IA que somam US$ 600 bilhões, o que gerou apreensão quanto ao retorno desses aportes. Em seguida, a Anthropic demonstrou que sua ferramenta Claude é capaz de executar tarefas complexas, e não apenas responder perguntas, colocando em xeque o modelo de negócios de empresas de software como serviço, além de setores como serviços financeiros e seguros. Nesta semana, companhias da chamada velha economia, como logística, distribuição e transporte, também vêm sofrendo com as ameaças que essa tecnologia pode representar para seus modelos de negócios. A expectativa de que a IA seria principalmente uma ferramenta de aumento de produtividade começa a dar lugar ao receio de substituição de mão de obra e demissões em massa, com efeitos potencialmente nocivos sobre a economia e o tecido social.


Brasil – Política

Em um movimento favorável ao governo, Hugo Motta enterrou a CPI do Banco Master e pautou a PEC da escala 6x1, bandeira trabalhista que promete impulsionar a aprovação de Lula.


As pesquisas de opinião divulgadas nesta semana mostram como o pleito de outubro segue indefinido. Segundo a Futura/Apex, Flávio Bolsonaro venceria Lula em um eventual segundo turno. A Paraná Pesquisas indica que Flávio Bolsonaro derrotaria Lula com folga no estado de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Por outro lado, a Genial/Quaest aponta Lula como vencedor e Flávio Bolsonaro como o candidato que apresenta a menor diferença de votos em relação ao petista.


A reunião do Diretório Nacional do PT, realizada no último fim de semana, voltou a defender a revisão para cima da meta de inflação e questionou o atual modelo de autonomia do Banco Central.


Brasil – Indicadores econômicos

O IPCA de janeiro mostrou inflação de 0,33%, igual à de dezembro e levemente acima da expectativa, que era de 0,32%. A inflação acumulada em 12 meses subiu de 4,26% para 4,44%, mas permanece dentro do teto da meta do Banco Central. O grupo Transportes teve o maior impacto no índice, com os combustíveis subindo 2,14% no mês. Já o grupo Habitação contribuiu de forma negativa, refletindo a queda de 2,73% na energia elétrica residencial.


O setor de serviços e as vendas no varejo surpreenderam negativamente ao registrarem retração de 0,4% em dezembro, mês tipicamente aquecido pelas compras de Natal. No próximo mês, o Copom decide a taxa de juros, e as apostas em um corte de 50 pontos-base vêm ganhando força.


EUA

O payroll surpreendeu ao mostrar a criação de 130 mil vagas de emprego em janeiro, número bem acima do dado anterior (48 mil) e também da estimativa dos economistas, que esperavam apenas 66 mil vagas. A taxa de desemprego recuou de 4,4% para 4,3%, reforçando a leitura de que o mercado de trabalho segue forte, o que dificulta a justificativa para novos cortes de juros pelo Fed.


Nesta sexta-feira, foi divulgado o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) de janeiro, e a leitura voltou a surpreender ao mostrar inflação de apenas 0,2%, abaixo da estimativa de 0,3%. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 2,7% para 2,4%.


O mercado segue apostando em dois cortes de juros promovidos pelo Fed neste ano, mas o reinício do ciclo ainda gera debate, com parte dos analistas projetando o primeiro corte em junho e outros, em setembro.


Fechamento da semana - números coletados às 15:00 desta sexta - feira
Fechamento da semana - números coletados às 15:00 desta sexta - feira

Conforme mencionado, o Ibovespa superou os 190 mil pontos nesta quarta-feira, mas recuou ontem e hoje, em um movimento de realização de lucros após as altas recentes. Na semana, a Bolsa sobe 1,7% e acumula ganhos de 15,4% no ano. O dólar chegou a ser negociado próximo a R$ 5,15, mas encerra a semana praticamente estável em relação à semana passada. O DI janeiro 2028 recuou 5 pontos-base, com o mercado aumentando as apostas em um corte de 50 pontos base na Selic em março.


O S&P 500 mostra recuperação nesta sexta-feira após o CPI indicar inflação abaixo do esperado, mas ainda encerra a semana em queda de 1%. O ouro voltou a ser negociado acima de US$ 5.000 por onça-troy, e o bitcoin também se recupera nesta sexta-feira, após ter sido negociado abaixo de US$ 65 mil na quinta-feira.


O destaque da semana talvez tenha sido o Treasury de 10 anos, que recuou 15 pontos-base e terminou em 4,06%, em meio a um forte movimento de compra. Recentemente, investidores em busca de proteção vinham correndo para o ouro e evitando Treasuries, diante da desconfiança sobre o dólar americano. Nesta semana, porém, o mercado parece ter voltado a buscar a segurança dos títulos soberanos dos EUA.


Neste ano, o feriado de Carnaval coincidiu com o feriado chinês (Ano Novo Lunar) e o feriado americano (aniversário de George Washington).


Bom Carnaval e até a próxima semana!


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