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A semana em 5 minutos

  • 20 de mar.
  • 5 min de leitura
“Todo mundo tem um plano até tomar um soco na boca” - Mike Tyson

A semana foi marcada pela intensificação do conflito no Golfo Pérsico, que cobrou seu preço sobre os ativos de risco. Apesar de o Irã ter tido, segundo Trump, sua força aérea e marítima praticamente destruída, os ataques com drones e mísseis balísticos continuam, e o Estreito de Ormuz segue sob controle da nação persa. Israel manteve os ataques, com foco na infraestrutura energética do país, enquanto o Irã passou a atingir também a infraestrutura energética de países vizinhos, o que agrava ainda mais a oferta de petróleo e seus derivados em um momento já crítico.


Segundo alguns analistas, os efeitos desse conflito já afetam os mercados de commodities e de juros de forma estrutural, e não mais apenas conjuntural. O preço do barril do tipo Brent superou os US$ 100 após os ataques à infraestrutura energética da região, somados ao impasse no Estreito de Ormuz. Com isso, as expectativas para as taxas de juros também se elevaram, refletindo-se nas decisões anunciadas nesta última quarta-feira, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.


Brasil – Política

Parlamentares do PT e do Centrão atuam em conjunto para sepultar a CPI do INSS. A base do governo tenta conter o desgaste envolvendo Lulinha, que acaba respingando no pai, enquanto o Centrão também vê seus próprios nomes implicados no caso, especialmente após a exposição de suas relações com Daniel Vorcaro. Vale destacar que Vorcaro conseguiu transferência da prisão de segurança máxima para a superintendência da Polícia Federal, o que pode indicar a possibilidade de uma delação premiada em andamento.


Fernando Haddad deixou o Ministério da Fazenda para concorrer ao governo de São Paulo, em disputa com Tarcísio de Freitas.


Os caminhoneiros decidiram suspender, por uma semana, a ameaça de greve nacional enquanto negociam com o governo uma fiscalização mais rigorosa do cumprimento do frete mínimo. A alta dos combustíveis, mesmo com a suspensão dos impostos federais e a promessa de compensação aos estados por uma eventual redução do ICMS, não tem surtido o efeito esperado, mantendo o risco de desabastecimento. As tentativas do governo de conter o preço do diesel tendem a agravar ainda mais as contas públicas.


Brasil – Indicadores econômicos

O IBC-Br, considerado uma prévia do PIB e calculado pelo Banco Central, registrou crescimento de 0,8% em janeiro, abaixo da expectativa de 0,85%, mas revertendo a retração de 0,2% observada em dezembro.


O Banco Central reduziu a Selic em 25 pontos-base, conforme esperado, levando a taxa básica de 15% para 14,75%. No comunicado pós-decisão, a autoridade mencionou a possibilidade de um corte mais intenso, de 50 pontosbase, que foi descartada em razão do aumento dos riscos inflacionários associados ao conflito no Irã e à alta do preço do petróleo. O mercado interpretou o comunicado como relativamente suave, apesar do cenário mais volátil e incerto. Ainda assim, a autoridade não sinalizou novos cortes, mantendo a próxima decisão em aberto e condicionada à evolução dos dados e do ambiente econômico até a reunião de abril.


EUA

A divulgação do Índice de Preços ao Produtor (PPI) de fevereiro, que ainda não refletia a disparada dos preços das commodities de energia, piorou o humor dos investidores ao registrar alta de 0,7%, após avanço de 0,5% no mês anterior.


O Fed manteve a taxa básica de juros em 3,75%, conforme esperado, mas adotou um tom mais duro no comunicado ao afastar a possibilidade de cortes no curto prazo, diante dos dados recentes de inflação e dos riscos inflacionários associados ao setor energético, em meio à disrupção da oferta de petróleo. Jerome Powell também adotou uma postura cautelosa, condicionando uma eventual retomada do afrouxamento monetário à redução das tensões geopolíticas. Como consequência, o mercado passou a projetar cortes de juros apenas para o final do ano.


Nesta semana, Ray Dalio escreveu um artigo comparando o atual impasse no Estreito de Ormuz com a crise do Canal de Suez, em 1956, envolvendo o Reino Unido. Segundo Dalio, de forma bem resumida, o episódio no Egito evidenciou uma potência em declínio, o Império Britânico, diante de um ponto estratégico crucial, o Canal de Suez, revelando a incapacidade da nação europeia de projetar poder de forma independente e culminando na ascensão da hegemonia dos Estados Unidos.


De forma análoga, o atual impasse no Estreito de Ormuz, entre o Irã e os Estados Unidos, indicaria uma potência em declínio diante de um ponto estratégico vital, evidenciando limitações na liderança americana de se articular com outras nações aliadas para manter a ordem global. Como consequência, haveria uma transição para um cenário mais multipolar, no qual os Estados Unidos já não desfrutam do mesmo prestígio e respeito de outrora.


Petróleo

Algumas informações ajudaram a aliviar a pressão sobre o preço do barril ao longo da semana, mas seus efeitos foram dissipados com a intensificação dos ataques. A notícia de que o Irã havia, informalmente, permitido o trânsito de petroleiros chineses, indianos e paquistaneses pelo Estreito de Ormuz contribuiu para reduzir as tensões. Também foi divulgado um acordo para que o Iraque retomasse as exportações de petróleo via Turquia, evitando o Estreito de Ormuz, o que trouxe alívio adicional. No entanto, ao longo da semana, os ataques entre Irã e Israel se intensificaram, com destaque para ações direcionadas à infraestrutura energética da região. O Irã bombardeou duas refinarias no Kuwait e uma na Arábia Saudita, além de atingir a maior planta de GNL do mundo, localizada no Catar. Israel, por sua vez, atacou o maior campo de produção de gás natural do Irã. Com os ataques concentrados na capacidade de produção e distribuição de energia, a oferta global é afetada, o que pressiona ainda mais o preço do Brent.


Dois comentários do primeiro-ministro de Israel ajudaram a aliviar momentaneamente essa pressão. Netanyahu afirmou que o Irã não teria mais capacidade de enriquecer urânio nem de repor seus mísseis balísticos, além de indicar que Israel não pretendia mais atacar a infraestrutura energética iraniana. Os Estados Unidos, por sua vez, estudam a liberação adicional de sua reserva estratégica de petróleo, a flexibilização de sanções sobre o petróleo iraniano retido em navios-tanque e também sobre o petróleo russo, com o objetivo de ampliar a oferta global. Nesta sexta-feira, no entanto, Netanyahu atacou pela primeira vez a Síria e mudou o tom do discurso ao mencionar a intenção de “dizimar” o Irã.


Fechamento da semana - números coletados às 15:00h desta sexta-feira
Fechamento da semana - números coletados às 15:00h desta sexta-feira

A semana seguiu tensa, com o mercado atento à cotação do barril de petróleo e avaliando seus impactos sobre a inflação e o adiamento dos próximos cortes de juros. No Brasil, o contrato futuro de DI para janeiro de 2028 encerrou a semana em 14,00%, alta de 8 pontos-base.


Nos Estados Unidos, a elevação de 10 pontos-base no Treasury de 10 anos, com rendimento de 4,38%, contribuiu para a queda de quase 9% do ouro, que tende a ser pressionado em um ambiente de juros mais elevados. O petróleo tipo Brent chegou a superar os US$ 113 por barril nos momentos mais críticos do conflito, mas recuou e encerrou a semana em US$ 106,45, com alta semanal de 5,8% e de 75,2% no ano. Sem dúvida, o comportamento recente do preço do Brent tem ditado o ritmo dos mercados e influenciado a curva de juros com intensidade superior à de muitos bancos centrais.


Até a próxima semana!

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