A semana em 5 minutos
- 6 de fev.
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“Tenho me esforçado a não rir das ações humanas, nem chorar por elas, nem odiá-las, mas entendê-las.” - Baruch Spinoza
A semana foi marcada por bastante volatilidade, especialmente nas ações de empresas de tecnologia americanas e nas criptomoedas, com um forte movimento de venda de ativos. Estamos em temporada de resultados e, apesar de várias empresas de tecnologia terem apresentado números trimestrais favoráveis, diversas sofreram quedas expressivas ao anunciarem aumentos nos investimentos em inteligência artificial, diante da cautela do mercado em relação ao retorno desses aportes.
Brasil – Política
A preocupação com a saúde e a viabilidade das contas públicas voltou ao radar com o fim do recesso em Brasília e com as pautas votadas nesta semana, que devem somar vários bilhões de reais ao déficit fiscal.
O Congresso aprovou o Programa Gás do Povo, importante para a população mais vulnerável, mas também alinhado à agenda eleitoral do presidente Lula, que tende a ampliar os gastos sociais de olho na reeleição.
A Câmara aprovou, ainda, o reajuste de até 40% para servidores do Legislativo e a concessão de um dia de folga a cada três dias trabalhados. Além disso, a licença compensatória será paga sem incidência de Imposto de Renda, o que abre espaço para supersalários acima do teto constitucional.
Na contramão do Congresso, o ministro do STF Flávio Dino concedeu uma liminar suspendendo os chamados “penduricalhos” do poder público, determinando uma revisão geral dessas verbas e exigindo maior transparência nos pagamentos. Dino também ordenou a suspensão imediata de qualquer benefício que não esteja expressamente previsto em lei. A decisão repercutiu no mercado, ajudando a acalmar a curva de juros, e reforça a percepção de que o país deverá encarar uma reforma administrativa e orçamentária, além de um ajuste fiscal, a partir de 2027.
Brasil – Indicadores econômicos
A ata do Copom confirmou o início do ciclo de queda da Selic em março, com um corte que pode ser de 25 ou 50 pontos-base, a depender dos indicadores econômicos até lá.
Após recuar 0,2% em novembro, a produção industrial voltou a cair em dezembro, desta vez 1,2%, uma queda mais intensa do que o recuo de 0,8% esperado. O ano de 2025 foi marcado por um crescimento fraco de apenas 0,6% da indústria brasileira, que sofreu os efeitos da política monetária contracionista do Banco Central.
EUA
O setor de tecnologia sofreu fortes perdas nesta semana, com investidores adotando um ceticismo em relação à IA ainda não visto até aqui. Mesmo com empresas como Microsoft, Alphabet (Google) e Amazon apresentando resultados sólidos, os respectivos capex (investimentos em capital) anunciados para IA vêm afugentando investidores, que passaram a questionar a viabilidade econômica, o retorno sobre o investimento e o tempo necessário para recuperar o capital empregado. Essas são, na verdade, questões básicas aplicáveis a qualquer investimento, mas o otimismo em torno dessa nova tecnologia havia deixado essas preocupações em segundo plano. Agora, porém, o mercado voltou a exigir resultados concretos.
Outra fonte de preocupação que reforçou o pessimismo no setor foi o lançamento de uma nova ferramenta de IA da Anthropic, que derrubou ações de empresas de software, serviços financeiros e gestão de ativos. O modelo inclui uma ferramenta de produtividade, o Claude, capaz de executar tarefas complexas de forma autônoma, o que pode ameaçar diversos modelos de negócios baseados em serviços especializados, como consultorias jurídicas e análise de dados. O receio, agora, é que a IA deixe de ser apenas uma poderosa ferramenta de apoio ao profissional e passe a substituir parte relevante desse trabalho.
Os dados divulgados nesta semana também apontaram um enfraquecimento do mercado de trabalho. O ADP Nonfarm Employment registrou apenas 22 mil novas vagas em janeiro, cerca de metade das 46 mil esperadas. Já o relatório JOLTS mostrou que o número de vagas em aberto nos EUA em dezembro caiu para 6,5 milhões, abaixo da expectativa de 7,2 milhões. Esses números reacendem as esperanças de novos cortes de juros no primeiro semestre, mas a atenção dos investidores permaneceu concentrada no aumento do pessimismo em torno das empresas de tecnologia.
China
O presidente Xi Jinping anunciou o desejo de fortalecer a moeda chinesa, o renminbi, com o objetivo de enfrentar a hegemonia do dólar americano no comércio internacional. O líder chinês aproveita o crescente sentimento de desconfiança em relação ao dólar e o aumento do uso de moedas locais em transações internacionais.
O movimento parece oportuno, mas o dólar ainda representa cerca de 57% das reservas internacionais dos bancos centrais, enquanto o renminbi responde por menos de 2%. Além disso, para que sua moeda se consolide como reserva de valor global, a China teria de implementar reformas profundas em seu sistema financeiro, com mais transparência e confiabilidade. Isso incluiria medidas como a abertura da conta de capital, maior conversibilidade e maior liberdade de fluxo de capitais, mudanças que, na prática, enfraqueceriam o controle atualmente exercido por Pequim.

O Ibovespa bateu novo recorde ao encerrar o pregão de terça-feira acima dos 185 mil pontos, impulsionado pelo fluxo de capital estrangeiro e pela crescente convicção do mercado de um corte de 50 pontos-base na Selic em março. A Bolsa recuou ao longo da semana, contaminada pela aversão ao risco causada pelo setor de tecnologia americano.
Após o auge do pessimismo em relação ao dólar americano na semana passada, o greenback voltou a ganhar força contra outras moedas, como mostra o DXY. No Brasil, porém, a moeda segue em queda, também beneficiada pelo fluxo de capital estrangeiro.
O DI janeiro 2028, contrato de juros futuros mais negociado na B3, recuou 8 pontos-base, para 12,64%. O mercado de juros futuros aponta uma Selic ao redor de 12,25% atualmente, ao extrairmos a taxa implícita entre o contrato de janeiro de 2027 e o de outubro deste ano.
Nos Estados Unidos, o S&P 500 encerra a semana em queda de 0,5%. Já o Nasdaq, com peso bem maior de empresas de tecnologia, chegou a recuar 4%, mas se recupera nesta sexta-feira e passa a cair apenas 2,6%. O Bitcoin também parece ter perdido seu piso e chegou a ser negociado a US$ 60 mil na quinta-feira, mas se recupera nesta sexta.
Até a próxima semana!

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