A semana em 5 minutos
- joaobourdon8
- 18 de jul.
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“No Brasil, até o passado é incerto.” - Pedro Malan
As tarifas comerciais voltaram com força ao radar dos investidores, impulsionadas pela escalada da retórica protecionista de Donald Trump — desta vez, mirando o México e a União Europeia. O investidor americano, no entanto, já não reage às declarações de Trump como antes, apostando que se tratam apenas de bravatas.
No Brasil, a audiência de conciliação entre o Planalto e o Congresso, motivada pelo projeto de reoneração do IOF, terminou em impasse. O ministro Alexandre de Moraes decidiu a favor do governo, contrariando a ampla maioria dos parlamentares e elevando ainda mais a tensão entre os Poderes.
Brasil – Política
Uma proposta de emenda à Constituição (PEC) propõe retirar os precatórios do teto de gastos, estabelecendo uma transição gradual de dez anos para que essas despesas passem a ser contabilizadas na meta fiscal. A ideia é iniciar o processo apenas em 2027, incluindo 10% do volume dos precatórios por ano no resultado primário. Trata-se de mais uma medida paliativa do governo para tentar contornar o rombo fiscal.
Lula, em uma atitude louvável, vetou o aumento do número de deputados federais, de 513 para 531, o que, por efeito cascata, também geraria aumentos automáticos para os deputados estaduais. Vale lembrar que o Congresso só conseguiu votar esse projeto após o Supremo Tribunal Federal decidir que cabe outra interpretação para a Constituição de 1988 — ainda que a Carta Magna, em seu artigo 142, determine: “o número de deputados federais não ultrapassará quinhentos e treze representantes”.
A popularidade de Lula continua em recuperação, impulsionada pela exploração retórica do embate com Donald Trump. No entanto, essa disputa tem prazo para terminar, e as eleições ocorrem em 15 meses. Segundo analistas políticos, se o pleito fosse este ano, Lula provavelmente sairia vitorioso. As reformas administrativas e econômicas, que vêm sendo adiadas para 2027, dificilmente serão implementadas por Lula, que tem se mostrado pouco disposto a conduzi-las. De acordo com alguns observadores, a oposição precisará apresentar um candidato moderado, reformista, articulado e responsável para enfrentar o PT em 2026.
Brasil – Indicadores econômicos
O IBC-Br, prévia do PIB calculada pelo Banco Central, registrou um recuo de -0,7% em maio, acima das expectativas do mercado, reforçando a percepção de que a atividade econômica está, de fato, desacelerando. Caso o governo opte por reduzir os estímulos fiscais — ou seja, diminuir os gastos públicos —, a inflação tende a recuar o suficiente para permitir que a autoridade monetária inicie um novo ciclo de corte de juros.
Já o IGP-10 de julho, que antecipa o comportamento do IGP-M, apresentou deflação pelo quarto mês consecutivo, com uma variação de -1,7%. Vale lembrar que os índices da família IGP são fortemente influenciados pela taxa de câmbio — e, nesse sentido, a queda do dólar em 2025 atua a nosso favor.
EUA
A inflação ao consumidor nos Estados Unidos voltou a subir em maio, com o acumulado em 12 meses saltando de 2,4% para 2,7%. Os itens que mais pressionaram o índice foram justamente produtos ligados à cadeia de importação, como móveis, roupas e brinquedos.
As vendas no varejo em junho surpreenderam positivamente, com um crescimento de 0,6% frente à expectativa de apenas 0,1%, indicando que o consumidor americano segue resiliente.
Apesar dos dados recentes apontarem para uma economia ainda aquecida — com o desemprego em níveis historicamente baixos e uma inflação que, embora sob controle, insiste em se manter acima da meta do Federal Reserve — o mercado continua trabalhando com a possibilidade de cortes na taxa de juros pelo Fed ainda no segundo semestre deste ano.
A temporada de resultados corporativos teve início e, em geral, os números vêm superando as expectativas. Nesta semana, grandes bancos como JPMorgan, Citigroup, Wells Fargo e outros divulgaram bons resultados trimestrais. No entanto, os guidances para o restante do ano indicam possível queda nas receitas, em função da incerteza comercial e tarifária.
A alta das bolsas americanas — com o S&P 500 e o Nasdaq renovando máximas históricas — tem sido impulsionada tanto pelos bons resultados corporativos quanto pelo chamado "TACO trade" ("Trump Always Chickens Out", ou "Trump sempre recua no final"), que segue firme à medida que se aproxima o dia 1º de agosto, data em que novas tarifas entram em vigor, incluindo a brasileira. O mercado aposta que as ameaças protecionistas de Trump têm mais de teatro do que de ação concreta, e serão “postergadas” novamente.
China
O PIB da China no segundo trimestre registrou crescimento de 5,2% em relação ao mesmo período de 2024. As exportações também surpreenderam positivamente, com alta de 5,8% em junho, após um avanço de 4,8% em maio. Embora o comércio com os Estados Unidos tenha recuado, o gigante asiático aumentou seus embarques para outros países. Parte dessas mercadorias tem sido “desviada” para regiões com tarifas recíprocas mais baixas, mas que servem como ponto de passagem para o mercado americano, em uma estratégia para reduzir o impacto tributário ao consumidor dos EUA.
Europa
A Europa praticamente zerou sua dependência de petróleo e gás provenientes da Rússia, o que representa uma excelente notícia para a estabilidade econômica do continente. No entanto, Vladimir Putin conseguiu ampliar significativamente o comércio com China e Índia, o que tem contribuído para o financiamento da guerra contra a Ucrânia — conflito que, até o momento, não dá sinais de desfecho, apesar das recentes pressões de Donald Trump por um acordo de paz.

Apesar de a Bolsa brasileira estar em níveis descontados e com preços atrativos, ela depende de perspectivas econômicas mais favoráveis para atrair novos investimentos. Nesse cenário, o desequilíbrio fiscal — caso não seja enfrentado com seriedade — tende a afastar o capital e pode desencadear mais uma crise econômica no país.
Até a próxima semana!
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