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A semana em 5 minutos

  • joaobourdon8
  • 25 de jul.
  • 5 min de leitura
"O protecionismo é um imposto sobre o consumidor." — Milton Friedman

A semana anterior terminou com dois pontos de tensão na guerra comercial conduzida por Trump: a ausência de um acordo com a União Europeia e a promessa de imposição de tarifas de 50% ao Brasil, a partir de 1º de agosto.


Ao longo da semana, sinais de um possível entendimento entre os EUA e a UE acalmaram os mercados, contribuindo para a alta das bolsas no exterior.


No Brasil, entretanto, cresce o receio de que a tarifa seja, de fato, implementada na próxima sexta-feira, sobretudo porque o governo brasileiro sequer consegue estabelecer diálogo com a Casa Branca, que fechou o canal de comunicação com o Planalto até ontem.


Os Estados Unidos continuam sem um embaixador oficial em Brasília, o que dificulta ainda mais qualquer possibilidade de interlocução entre os dois países.


Brasil – Política

Hoje, foi divulgada a informação de que o vice-presidente Geraldo Alckmin conseguiu conversar com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, abrindo finalmente um canal de comunicação com o governo americano — o que já representa um avanço.


Antecipando um eventual fracasso nas negociações, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que a equipe econômica já dispõe de um leque de contramedidas para as tarifas de Trump, incluindo políticas de apoio aos setores que forem mais impactados. Paralelamente, o governo tem buscado diversificar o comércio exterior, abrindo novos mercados — uma estratégia que visa reduzir a dependência dos EUA.


O Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do 3º bimestre foi divulgado e trouxe preocupação. O mercado esperava a manutenção do congelamento dos R$ 31 bilhões, considerado essencial para o cumprimento da meta fiscal, que exige o bloqueio de R$ 57 bilhões em despesas para alcançar o déficit zero.


No entanto, o governo decidiu liberar R$ 20,6 bilhões em novos gastos ainda neste ano, reduzindo a contenção para apenas R$ 10,7 bilhões. A decisão foi tomada com base na expectativa de receitas extraordinárias, provenientes do aumento do IOF e das antecipações do leilão do pré-sal. Com isso, a nova projeção do governo é de um déficit de R$ 26,3 bilhões, o equivalente a 0,2% do PIB.


Brasil – Indicadores econômicos

O IPCA-15 de julho, prévia da inflação oficial, subiu 0,33%. Apesar de o número ter vindo acima tanto do registrado no mês anterior (0,26%) quanto da expectativa do mercado (0,30%), no acumulado de 12 meses a inflação recuou de 5,35% para 5,30%.


O saldo do Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 33,8 bilhões no primeiro semestre deste ano — o menor nível em quatro anos — e representa uma queda de 10,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse valor corresponde ao saldo líquido (entradas menos saídas) de capital voltado para investimentos de longo prazo, como abertura de empresas, projetos de infraestrutura, entre outros.


O Boletim Focus do Banco Central aponta, pela oitava semana consecutiva, uma redução nas expectativas para o IPCA deste ano, de 5,17% para 5,10%. Embora a variação pareça modesta, o fato de o mercado estar projetando uma queda da inflação há dois meses é um sinal positivo.


Na próxima semana, haverá reunião do Copom, e o mercado aposta na manutenção da taxa Selic em 15%. No entanto, a atenção estará voltada para a ata do encontro, que poderá oferecer pistas sobre os próximos passos da política monetária do Banco Central.


EUA

As bolsas americanas seguem em movimento de recuperação, mesmo com os riscos tarifário, fiscal e inflacionário ainda no radar. A expectativa de que novos acordos comerciais sejam firmados contribui para o otimismo. Além disso, os resultados corporativos divulgados até o momento também colaboram com o bom humor dos investidores: 83% das empresas do S&P 500 apresentaram números acima das expectativas dos analistas.


Os índices de inflação não vêm apontando alta nos preços dos automóveis, mesmo com a imposição de tarifas sobre autopeças importadas. Nesta semana, a General Motors anunciou uma redução de US$ 1 bilhão em seu lucro, resultado da decisão de absorver as tarifas impostas por Trump, sem repassá-las ao consumidor.


Por outro lado, nos setores de brinquedos e eletrodomésticos, os aumentos expressivos nos preços indicam que os custos adicionais estão sendo integralmente transferidos para o consumidor americano.


Trump também anunciou um novo acordo tarifário com o Japão, impondo uma alíquota de 15% sobre as importações nipônicas. A medida foi bem recebida pelos mercados, especialmente o japonês.


Na próxima semana, ocorrerá a reunião do FOMC, e o mercado espera uma nova manutenção das taxas de juros. O atrito entre Donald Trump e Jerome Powell tem altos e baixos: ora Trump critica abertamente e ameaça demitir o presidente do Fed antes do fim de seu mandato — o que seria ilegal —, ora tenta amenizar o conflito com declarações conciliatórias.


China

O cronograma atual para um acordo entre os Estados Unidos e a China está previsto para 12 de agosto. No entanto, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, já afirmou que a Casa Branca avalia conceder uma extensão de 90 dias no prazo. Essa sinalização, somada à informação de que a exportação de microchips americanos para a China e a exportação de terras raras chinesas para os EUA estão se normalizando, contribuiu para a redução das tensões comerciais entre os dois países.


Europa

A União Europeia e os Estados Unidos estão próximos de firmar um acordo com tarifas de 15% sobre a maioria dos produtos, o que deve aliviar os receios de uma intensificação da guerra comercial.


Entretanto, um dos efeitos colaterais da incerteza tarifária, do protecionismo e do isolacionismo adotados por Trump tem sido a abertura de novas frentes comerciais e a celebração de acordos de livre-comércio entre outros países ao redor do mundo. Nesta semana, o Reino Unido e a Índia assinaram um acordo que elimina tarifas sobre uma ampla variedade de produtos, de automóveis a bebidas.


Essa negociação se arrastava há bastante tempo, mas as atuais circunstâncias do comércio global facilitaram a superação das divergências. Trata-se do primeiro grande acordo comercial firmado pela Índia — um país historicamente protecionista — em mais de uma década.


Trump certamente está redesenhando o comércio internacional. Se o faz em benefício dos Estados Unidos, apenas o tempo dirá.

Fechamento da semana - números coletados às 15:00h desta sexta-feira
Fechamento da semana - números coletados às 15:00h desta sexta-feira

O otimismo dos investidores com os ativos de risco brasileiros vem diminuindo nas últimas semanas, apesar de o Ibovespa e o IFIX ainda acumularem ganhos superiores a 10% em 2025. O ambiente político conturbado, a falta de governabilidade do Executivo e a insistência do Planalto em adiar o enfrentamento do déficit fiscal para depois das eleições não contribuem em nada para restaurar a confiança do mercado.


O investidor estrangeiro, embora ainda mantenha uma posição comprada na B3 da ordem de R$ 27 bilhões, retirou R$ 4,8 bilhões apenas no mês de julho, até o dia 23.


Até a próxima semana!

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