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A semana em 5 minutos

  • joaobourdon8
  • 23 de jan.
  • 4 min de leitura
“Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta” - John Galbraith

A semana começou com os mercados em queda e sob forte estresse, diante da intensificação das investidas de Trump em relação à anexação da Groenlândia. A imposição de tarifas a oito países europeus que enviaram tropas ao território dinamarquês acendeu os receios de um conflito armado, além de ampliar as incertezas tarifárias no comércio mundial. Nesse contexto, o discurso do presidente americano em Davos, na Suíça, era amplamente aguardado. Trump, no entanto, adotou um tom mais moderado ao descartar o uso da força para adquirir o território e, em seguida, anunciou que já existe um esboço de acordo com os países europeus para um entendimento futuro favorável aos Estados Unidos. Isso foi suficiente para aliviar as tensões, ao menos por enquanto.


Brasil – Política

As pesquisas de opinião divulgadas nesta semana impactaram os mercados ao indicar um enfraquecimento da competitividade do presidente Lula, com aumento de sua rejeição, enquanto a de Flávio Bolsonaro apresentou recuo. Segundo a Atlas, os candidatos mais rejeitados, ou seja, aqueles em quem os eleitores afirmam que nunca votariam, são atualmente Jair Bolsonaro (50%), Lula (49,7%), Flávio Bolsonaro (47,4%) e Tarcísio de Freitas (41%).


De acordo com especialistas, a melhora nos números de Flávio Bolsonaro é um movimento natural após a oficialização de sua candidatura e sua maior presença em eventos de pré-campanha. Ainda assim, o PT trabalha para que a disputa presidencial ocorra contra um candidato com o sobrenome Bolsonaro e torce para que Flávio mantenha sua candidatura. Esse cenário se torna especialmente relevante diante da preferência do Centrão e da direita moderada por Tarcísio de Freitas, o que contribui para dividir e enfraquecer a oposição a Lula.


O governador de São Paulo, por sua vez, tem sinalizado a intenção de disputar a reeleição ao governo estadual, abrindo espaço para que Flávio Bolsonaro avance em seu projeto de consolidação como herdeiro político.


Vale destacar que o PT provavelmente aguarda a oficialização de Flávio Bolsonaro como adversário para acionar sua militância e sua estrutura eleitoral, o que pode causar danos significativos a qualquer candidatura. Basta lembrar a eleição de 2014, quando o partido disseminou, entre as camadas mais pobres da população, a informação de que Marina Silva, então adversária de Dilma Rousseff, pretendia acabar com o Bolsa Família caso fosse eleita, o que sepultou a candidatura da ex-seringueira.


Brasil – Indicadores econômicos

O Boletim Focus do Banco Central reduziu a projeção do IPCA de 2026 de 4,05% para 4,02%. A expectativa de crescimento do PIB permanece em 1,8%, enquanto a estimativa para a Selic ao final deste ano é de 12,25%.


A arrecadação federal em dezembro alcançou R$ 292,7 bilhões, alta de 7,46% em relação a dezembro de 2024. No acumulado de 2025, a arrecadação atingiu R$ 2,93 trilhões, crescimento de 3,65% em comparação com 2024. O resultado evidencia o forte apetite arrecadatório do governo e contribui para mitigar o desequilíbrio fiscal, embora não o resolva, já que o enfrentamento estrutural do déficit deve ocorrer apenas a partir de 2027.


EUA

A revisão do PIB do terceiro trimestre apontou crescimento de 4,4%, acima da leitura anterior, de 3,8%, e também da expectativa do mercado, que era de 4,3%.


O PCE, índice de gastos pessoais, de novembro mostrou que a inflação avançou 0,2%, em linha com outubro, fazendo o indicador acumular alta de 2,8% em 12 meses. O resultado segue acima da meta de 2% do Federal Reserve.


O sólido crescimento da economia americana e o arrefecimento das tensões geopolíticas contribuíram para a melhora das bolsas nos últimos dias. O consumidor médio segue ativo, o mercado de trabalho permanece saudável, com baixo desemprego, e, com a inflação ainda acima da meta, as perspectivas de um novo corte de juros antes de setembro parecem cada vez mais distantes.


China

O PIB chinês cumpriu a meta estabelecida ao crescer 4,5% no quarto trimestre, mas já dá sinais de enfraquecimento, com queda no consumo e, de forma surpreendente, o avanço de uma crise demográfica. O governo informou que o número de nascimentos em 2025 foi de 7,92 milhões, abaixo dos 9,54 milhões registrados em 2024. Com isso, a taxa de fecundidade do país recuou para 0,93, patamar muito inferior à taxa de reposição populacional de 2,1.



A semana foi marcada por fortes altas na Bovespa, que já acumula valorização próxima de 10% apenas em janeiro. O dólar vem perdendo valor ao redor do mundo e, no Brasil, recuou 1,5%, para abaixo de R$ 5,30, impulsionado pelo fluxo de capital estrangeiro.


Após a expressiva alta em 2025, o ouro mantém sua tendência de valorização e já se aproxima de US$ 5.000 por onça-troy, em grande parte devido aos riscos geopolíticos e à política errática de Donald Trump.


Em períodos de forte queda das ações nas bolsas americanas, é comum observar um aumento significativo na demanda por Treasuries, à medida que os investidores migram de ativos de risco para a segurança dos títulos soberanos dos Estados Unidos. Nos últimos dias, entretanto, tem se observado um comportamento atípico, denominado por alguns analistas de “sell America”, no qual os recursos provenientes da venda de ações americanas passam a ser direcionados para outros ativos, como ouro e mercados emergentes, caracterizando uma fuga dos ativos dos Estados Unidos.


O investidor estrangeiro encerrou 2025 com um volume líquido de compras na B3 de R$ 31 bilhões. Apenas neste mês, o volume líquido já supera R$ 12 bilhões, considerando os dados até 21 de janeiro. O Brasil tende a atrair capital estrangeiro tanto para a renda fixa quanto para a renda variável, uma vez que oferece o maior juro real do mundo e empresas negociadas a múltiplos atrativos, além da perspectiva de melhora com reformas econômicas previstas para 2027.


Até a próxima semana!

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