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A semana em 5 minutos

  • joaobourdon8
  • 30 de jan.
  • 5 min de leitura
“No passado, a censura funcionava bloqueando o fluxo de informação. No século XXI, ela o faz inundando as pessoas de informação irrelevante.” - Yuval Noah Harari

Tivemos a primeira “superquarta” do ano, com o Banco Central e o Fed decidindo as respectivas taxas de juros. Em ambos os países, houve manutenção, conforme esperado, e os investidores voltaram suas atenções aos comunicados pós-decisão, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária. Enquanto, nos Estados Unidos, o mercado não aposta em novos cortes no primeiro semestre, no Brasil o início do ciclo de redução de juros em março é dado como certo.


Brasil – Política

O cenário eleitoral permanece, naturalmente, indefinido, mas com movimentações relevantes que aumentaram a complexidade do pleito. O governador Tarcísio de Freitas confirmou que concorrerá à reeleição em São Paulo, abrindo caminho para a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. A decisão frustrou Gilberto Kassab, principal representante do chamado centrão, que reagiu propondo uma terceira via ao lançar três pré-candidaturas pelo PSD, com governadores de diferentes estados: Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, Ronaldo Caiado, de Goiás, e Ratinho Jr., do Paraná.


Pesquisas de opinião divulgadas nesta semana indicam melhora nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro, que agora aparece tecnicamente empatado com Lula, em um eventual segundo turno. Paralelamente, o escândalo envolvendo o Banco Master ganha proporções alarmantes, com relatos de encontros de Daniel Vorcaro com ministros do STF e até com o próprio presidente, o que parece ter ampliado, junto à população, a percepção de corrupção associada ao atual governo.


Brasil – Indicadores econômicos

O déficit em transações correntes foi o maior dos últimos 11 anos, somando US$ 68,8 bilhões em 2025, o equivalente a 3% do PIB. Esse resultado é explicado pela redução do superávit comercial, por remessas recordes de lucros ao exterior e pelo aumento dos gastos de brasileiros fora do país. Em contrapartida, o Investimento Direto no País (IDP) apresentou saldo positivo de US$ 77,7 bilhões, mais do que suficiente para compensar o déficit em transações correntes. O IDP reflete fluxos de capital de longo prazo, como a instalação de novas fábricas por empresas estrangeiras, a abertura de filiais de multinacionais e a aquisição de participações em companhias nacionais.


A dívida bruta do governo ultrapassou a marca de R$ 10 trilhões, e sua relação com o PIB avançou para 78,7% em 2025, ante 76,3% em 2024, o que reforça a necessidade de maior disciplina fiscal.


O IPCA-15, prévia da inflação oficial de janeiro, registrou alta de 0,20%, abaixo das estimativas de mercado, levando a inflação acumulada em 12 meses a 4,50%. O resultado favorece o início do ciclo de cortes da Selic. O grupo Alimentação interrompeu uma sequência de sete meses de queda e avançou 0,21%, enquanto Habitação e Transportes apresentaram recuos de 0,26% e 0,13%, respectivamente.


O Caged de dezembro surpreendeu ao apontar o fechamento de 618 mil vagas formais, número bem acima do esperado, que era de 478 mil, e o pior resultado para o mês desde a pandemia, em 2020. No acumulado de 2025, foram criadas 1,28 milhão de vagas, queda de 31% em relação a 2024, quando o saldo foi de 1,67 milhão, configurando também o pior desempenho desde 2020. Apesar do impacto negativo sobre a atividade econômica, esse dado, assim como o IPCA- 15, contribui para a abertura de espaço ao início do afrouxamento monetário.


O Copom manteve a Selic em 15%, conforme amplamente esperado. No entanto, diferentemente de comunicados anteriores, abandonou o tom explicitamente contracionista e sinalizou que o ciclo de cortes deve ter início em março. Ainda de forma cautelosa, o comitê sugeriu que o primeiro movimento pode ser de apenas 25 pontos-base, levando a taxa para 14,75%. Embora modesto, o mais relevante é o início do ciclo de queda dos juros. O Boletim Focus do Banco Central indica que a expectativa do mercado é de uma Selic em 12,25% ao final deste ano.


EUA

O indicador de confiança do consumidor americano em janeiro apresentou forte queda, recuando de 94,2 para 84,5 pontos e atingindo o menor nível dos últimos 12 anos, o que acendeu um alerta tanto para o mercado quanto para o governo. O consumo das famílias é o principal componente do PIB americano e exerce influência direta sobre a aprovação do governo. Vale lembrar que, em novembro, haverá eleições legislativas para o Congresso e o Senado, e um índice de aprovação mais baixo tende a reduzir as chances do partido do presidente nas urnas.


Um movimento generalizado dos investidores em relação ao dólar americano, conhecido como “debasement trade”, caracterizado pela fuga de moedas fiduciárias, encontra-se em pleno curso. A alta acentuada do ouro, que nesta semana superou pela primeira vez a marca de US$ 5.000 a onça e, na sequência, passou a ser negociado próximo a US$ 5.600, reflete a crescente desconfiança dos investidores em relação ao dólar. Outra evidência do pessimismo do mercado quanto à moeda americana pode ser observada nos prêmios recordes pagos por opções de venda do dólar, utilizadas como proteção contra a desvalorização do greenback. É importante destacar que Trump vê a depreciação do dólar de forma positiva, por acreditar que ela pode favorecer uma eventual reindustrialização dos Estados Unidos, um processo que demandaria vários anos e dependeria de outras variáveis além de um câmbio mais fraco.


O Fed manteve a taxa de juros em 3,75%, conforme esperado. Em seu comunicado pós-decisão, Jerome Powell, que deixará a presidência da instituição em maio, adotou um tom cauteloso, citando a resiliência da atividade econômica e reforçando que o nível atual dos juros é compatível com a inflação, ainda acima da meta, e com as condições do mercado de trabalho.


Foi divulgado hoje o PPI, índice de preços ao produtor, referente a dezembro, que registrou alta de 0,5%, acima da expectativa de 0,2%. No acumulado de 12 meses, o indicador aponta inflação de 3%, enquanto o núcleo avança 3,3%. Trata-se de uma inflação fortemente influenciada pelos preços de commodities, que pode, mas não necessariamente, ser repassada ao consumidor final.


Trump anunciou hoje a nomeação do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, ex-governador da instituição, cuja posse está prevista para maio. Warsh se mostra favorável a novos cortes de juros, uma postura alinhada às preferências do presidente. Ele defende que avanços tecnológicos, especialmente na área de inteligência artificial, têm potencial para elevar a produtividade do trabalhador americano e, consequentemente, gerar efeitos desinflacionários, permitindo ao Fed manter as taxas de juros em patamares mais baixos.



O destaque da semana foi, conforme já mencionado, o desempenho do ouro, que rompeu pela primeira vez a marca de US$ 5.000 a onça na segundafeira e, na quinta-feira, chegou a ser negociado a US$ 5.600. Nesta sexta-feira, a cotação do metal recuou de forma expressiva, com queda de 12%, mas ainda assim encerrou a semana com leve baixa de 0,3%. Ao que tudo indica, a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Fed foi bem recebida pelo mercado, contribuindo para a desmontagem de diversas posições compradas no metal.


O petróleo apresentou alta de quase 5%, com o Brent se aproximando de US$ 70 o barril, em meio a ameaças de intervenção militar dos Estados Unidos contra o Irã.


No Brasil, o dólar chegou a recuar para abaixo de R$ 5,19, o menor patamar desde maio de 2024, mas recuperou parte das perdas e encerrou a semana cotado a R$ 5,26.


O comunicado pós-decisão do Copom praticamente confirmou o início do ciclo de queda dos juros em março. O DI janeiro de 2028, contrato futuro de juros mais negociado na B3, passou a ser negociado em torno de 12,70%, uma queda de quase 30 pontos-base em relação à semana anterior.


Até a próxima semana!

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